Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico realiza 203º reunião

Publicação: 05/09/2018 | 20:04

Última modificação: 06/09/2018 | 14:45

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)

Nota Informativa – 5 de setembro de 2018

O CMSE esteve reunido nesta quarta-feira, 5 de setembro de 2018, com o objetivo de analisar as condições de suprimento eletroenergético em todo o território nacional, e divulga, de forma preliminar, os principais pontos tratados pelo colegiado:

Condições Hidrometeorológicas e Energia Armazenada: o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS destacou que, no mês de agosto de 2018, foram verificados os valores de Energia Natural Afluente – ENA bruta de 83% no Sudeste/Centro-Oeste, 47% no Sul, 39% no Nordeste e 72% no Norte, referenciados às respectivas Médias de Longo Termo – MLT.

A ENA das bacias dos rios Grande, Paranaíba, São Francisco e Tocantins, que juntos concentram cerca de 80% da capacidade de armazenamento do Sistema Interligado Nacional – SIN, se configuraram, no mês de agosto, como o 8º pior, 6º pior, 3º pior e 4º pior valor do histórico, respectivamente. A ENA de todo o SIN para o mês de agosto também foi a 7ª pior do histórico de 88 anos, com 68% da MLT.

A Energia Armazenada – EAR verificada no final do mês de agosto foi de 28,1%, 40,6%, 32,0% e 54,0% nos reservatórios equivalentes dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, referenciados às respectivas EAR máximas. Os valores esperados de armazenamentos equivalentes ao final do mês de setembro de 2018 são: 21,7% no Sudeste/Centro-Oeste, 48,1% no Sul, 27,8% no Nordeste e 42,3% no Norte, desconsiderando a geração termelétrica fora da ordem de mérito.

Nos próximos sete dias não há previsão de chuvas expressivas sobre as bacias de maior interesse para a geração de energia elétrica no SIN. Para a segunda semana, os modelos disponíveis (CPTEC/INPE e GFS) indicam chuvas mais expressivas apenas nos extremos sul e norte do Brasil.

Atualmente, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial são compatíveis com um cenário de neutralidade. Contudo, o aquecimento sistemático das águas desde o mês de abril, a presença de águas mais quentes nas profundezas do oceano e a previsão de vários modelos numéricos indicam a provável ocorrência do fenômeno do "El Niño", possivelmente de intensidade fraca a moderada, durante a próxima estação chuvosa da região central do Brasil. Esse cenário, em princípio, não implica impacto significativo para as chuvas da Região Sudeste nem para o início da estação chuvosa.

Avaliação do Despacho Termelétrico Fora da Ordem de Mérito: o CMSE decidiu manter, para a semana operativa de 8 de setembro a 14 de setembro de 2018, o despacho de usinas termelétricas até o limite de Custo Variável Unitário – CVU de R$ 766,28/MWh. A decisão decorre do fato de os Custos Marginais de Operação para todos os subsistemas terem sofrido acentuada redução, enquanto que o nível de armazenamento equivalente do subsistema Sudeste/Centro-Oeste se encontra no menor valor dos últimos anos.

O CMSE acatou metodologia proposta pelo ONS para avaliação da necessidade de despacho fora da ordem de mérito utilizando curva guia de referência para o reservatório equivalente do subsistema Sudeste/Centro-Oeste e de reservatórios de usinas de cabeceira dos rios Grande e Paranaíba, visando a garantia de controle da cascata hidráulica e a manutenção da navegabilidade da Hidrovia Tietê-Paraná.

O CMSE reiterou a garantia do suprimento no ano de 2018 e destacou que há recursos energéticos disponíveis, inclusive além dos montantes já despachados de usinas termelétricas. O despacho fora da ordem de mérito neste momento visa, sobretudo, preservar os estoques armazenados nas cabeceiras dos rios Grande e Paranaíba.

O CMSE ainda deliberou por envidar esforços no sentido de viabilizar geração em usinas termelétricas que se encontram operacionalmente disponíveis, sem contrato de comercialização de energia vigente e com Custo Variável Unitário – CVU competitivo. Além disso, solicitou que o ONS avalie a viabilidade do aumento da importação de energia dos sistemas elétricos uruguaio e argentino.

Análise de Risco: O risco de qualquer déficit de energia[1] em 2018 é igual a 0,3% para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste e 0,0% para o subsistema Nordeste, considerando a configuração do sistema do PMO de setembro de 2018.

Expansão da Geração e Transmissão: A Secretaria de Energia Elétrica - SEE/MME relatou que, em agosto de 2018, entraram em operação comercial 129,9 MW de capacidade instalada de geração. Em relação à transmissão, entraram em operação 1.800 MVA de transformação na Rede Básica. Assim, a expansão do sistema no ano 2018, até o mês de agosto, totalizou 3.162,4 MW de capacidade instalada de geração, 3.202 km de linhas de transmissão de Rede Básica e conexões de usinas e 11.946 MVA de transformação na Rede Básica.

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País, e serão realizadas reuniões semanais para avaliação do despacho termelétrico fora da ordem de mérito. As definições finais sobre a reunião do CMSE de hoje serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes do colegiado e divulgada conforme o regimento.

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico

[1] Estes resultados são obtidos nas simulações do modelo Newave utilizando séries sintéticas, com tendência hidrológica, considerando em seus parâmetros que não há racionamento preventivo, termelétricas por mérito e um patamar de déficit. Para séries históricas, o valor do risco de qualquer déficit é igual a 0,0%, para os subsistemas SE/CO e NE, no ano 2018.