CMSE aprova desligamento de termelétricas fora da ordem de mérito a partir da próxima semana operativa

Publicação: 03/10/2018 | 18:33

Última modificação: 03/10/2018 | 18:50

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu desligar as usinas termelétricas despachadas fora da ordem de mérito a partir do próximo sábado (6). A medida foi anunciada em reunião ordinária nesta quarta-feira (3) após melhora das condições hidrológicas da região Sul e das ofertas competitivas de importação de energia da Argentina e Uruguai.

Também foram destaque na reunião as ações complementares de segurança que serão adotadas durante as eleições de outubro e nos períodos de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para garantir o suprimento de energia nestas datas.  

O risco de qualquer déficit de energia em 2018 é igual a 0,0% para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerando a configuração do sistema do Programa Mensal de Operação Energética (PMO) de outubro de 2018.

O CMSE destacou que está garantido o suprimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN) e permanecerá acompanhando permanentemente as condições de suprimento do Sistema Elétrico Brasileiro, principalmente no que se refere ao nível dos reservatórios, com reuniões semanais para avaliação.

Veja a íntegra da nota do CMSE:


Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)

Nota Informativa – 3 de outubro de 2018

CMSE desliga termelétricas despachadas fora da ordem de mérito a partir da próxima semana operativa

O CMSE esteve reunido nesta quarta-feira, 3 de outubro de 2018, com o objetivo de analisar as condições de suprimento eletroenergético em todo o território nacional, e divulga, de forma preliminar, os principais pontos tratados pelo colegiado:

Condições Hidrometeorológicas e Energia Armazenada: o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS destacou que, no mês de setembro de 2018, foram verificados os valores de Energia Natural Afluente – ENA bruta de 83% no Sudeste/Centro-Oeste, 98% no Sul, 40% no Nordeste e 72% no Norte, referenciados às respectivas Médias de Longo Termo – MLT.

A ENA das bacias dos rios Grande, Paranaíba, São Francisco e Tocantins, que juntos concentram cerca de 80% da capacidade de armazenamento do Sistema Interligado Nacional – SIN, se configuraram, no mês de setembro, como o 3º pior, 9º pior, 3º pior e 3º pior valor do histórico, respectivamente.

A Energia Armazenada – EAR verificada no final do mês de setembro foi de 23,0%, 48,4%, 28,7% e 40,2% nos reservatórios equivalentes dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, referenciados às respectivas EAR máximas. Os valores esperados de armazenamentos equivalentes ao final do mês de outubro de 2018 são: 17,9% no Sudeste/Centro-Oeste, 44,4% no Sul, 24,7% no Nordeste e 30,2% no Norte, desconsiderando a geração termelétrica fora da ordem de mérito.

Nos próximos sete dias, os maiores acumulados de precipitação estarão localizados na Região Sul, onde os valores podem superar a média histórica nas bacias do subsistema sul e no setor incremental a UHE Itaipu. Nas bacias dos rios Grande, Xingu e a montante de Três Marias, no rio São Francisco, o cenário mais provável é de chuvas próximas à média. Não são esperados acumulados expressivos na bacia do rio Tocantins.

Para a segunda semana, os modelos disponíveis divergem da previsão para o centro sul do país, indicando baixa confiabilidade dos montantes de precipitação previstos. No entanto, os mesmos sugerem continuidade de precipitação na região Sul e a ocorrência de chuva ainda de forma irregular em parte das regiões Sudeste e do Centro-Oeste.

Atualmente, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial são compatíveis com um cenário de neutralidade. Contudo, o aquecimento sistemático das águas desde o mês de abril, a presença de águas mais quentes nas profundezas do oceano e a previsão de vários modelos numéricos indicam a provável ocorrência do fenômeno do "El Niño", possivelmente de intensidade fraca a moderada durante a próxima estação chuvosa da região central do Brasil. Esse cenário, em princípio, não implica impacto significativo para as chuvas da Região Sudeste.

Avaliação do despacho térmico fora da ordem de mérito: considerando que as condições hidrometeorológicas da região Sul apresentaram melhoria, passando a contribuir energeticamente com os demais subsistemas do Sistema Interligado Nacional – SIN, e as ofertas competitivas de importação de energia a partir do Uruguai e da Argentina, o Comitê decidiu desligar as usinas termelétricas despachadas fora da ordem de mérito de custo, a partir da 0h do dia 6 de outubro, sem que haja comprometimento dos estoques armazenados nas cabeceiras dos rios Grande e Paranaíba.

O CMSE destacou que está garantido o suprimento eletroenergético do SIN e permanecerá acompanhando permanentemente as condições de suprimento do Sistema Elétrico Brasileiro, principalmente no que se refere ao nível dos reservatórios, com reuniões semanais para avaliação.

Análise de Risco: O risco de qualquer déficit de energia[1] em 2018 é igual a 0,0% para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, considerando a configuração do sistema do PMO de outubro de 2018.

Eleições 2018 e ENEM: Em consonância com a Resolução nº 001/2005 do CMSE, que determina que o ONS deverá propor medidas especiais de segurança a fim de garantir o suprimento de energia elétrica em situações decorrentes de eventos de grande relevância, durante o período de operação especial das Eleições 2018 serão adotadas medidas complementares para assegurar a operação do Sistema Interligado Nacional – SIN, com grau adicional de segurança. Da mesma forma, para o período de realização do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM também serão adotadas medidas complementares visando um grau adicional de segurança à operação.

Expansão da Geração e Transmissão: A SEE/MME relatou que, em setembro de 2018, entraram em operação comercial 207,2 MW de capacidade instalada de geração. Em relação à transmissão, entraram em operação 83 MVA de transformação na Rede Básica. Assim, a expansão do sistema no ano 2018, até o mês de setembro, totalizou 3.369,65 MW de capacidade instalada de geração, 3.406 km de linhas de transmissão de Rede Básica e conexões de usinas e 12.055 MVA de transformação na Rede Básica[2].

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País. As definições finais sobre a reunião do CMSE de hoje serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes do colegiado e divulgada conforme o regimento.

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico

[1] Estes resultados são obtidos nas simulações do modelo Newave utilizando séries sintéticas, com tendência hidrológica, considerando em seus parâmetros que não há racionamento preventivo, térmicas por mérito e um patamar de déficit. Para séries históricas, o valor do risco de qualquer déficit é igual a 0,0%, para os subsistemas SE/CO e NE, no ano 2018.

[2] Foram efetuados ajustes, em reunião de consolidação, que ensejaram acréscimo do realizado total no ano.

 

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